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Voluntário é peça-chave na luta contra a bebida
Enviada em 01/06/2010

  • Alcoólicos Anônimos, instituição que completa 46 anos de fundação no Recife dia 10, depende da atuação de gente que superou a dependência do álcool e tem papel decisivo no resgate de outras pessoas.

    Há mais de três décadas, Santana, 75 anos, frequenta uma sala em um dos poucos edifícios da Rua da União, Centro do Recife. Seu nome real, no entanto, não pode ser divulgado. Ex-alcoólico, ele hoje atua como voluntário no escritório dos Alcoólicos Anônimos (AA), atividade essencial para a instituição, que no próximo dia 10 completa 75 anos em todo o mundo e 46 anos na capital pernambucana.
    Depois de superar a dependência, Santana concordou em dividir o drama que viveu um dia. Hoje, ajuda muita gente a retomar a vida social e o caminho profissional. Desde que passou a frequentar as reuniões, duas a três vezes por semana, sorri quase o tempo todo. Fala com orgulho sobre a esposa, com quem tem um casamento de 35 anos que o álcool não foi capaz de destruir, e os quatro filhos.

    “Apesar de tudo, eu sempre fui muito responsável com as minhas obrigações familiares”, garante. Assim como tantos outros, nunca se considerou alcoólatra. “A gente esconde que tem um problema. Para mim, alcoólatra era quem bebia todo dia e eu só ia para o bar na sexta e no sábado”, lembra.

    Os poucos dias que passava alcoolizado, no entanto, foram suficientes para tornar a vida da família difícil. “A gente perde a razão e faz coisas que não queria fazer. Os parentes de um alcoólatra sempre carregam sequelas deixadas por ele”, explica. A conscientização veio apenas quando o médico da empresa onde ele trabalhava o chamou para uma conversa. “Eu discuti com ele quando fui chamado de alcoólatra. Então ele me disse: você sabe o que é um alcoólatra? Não é alguém que bebe, mas alguém que não pode beber porque perde o controle”, conta.

    Enquanto procurava ajuda, Santana descobriu o AA, organização extremamente discreta que realiza reuniões periódicas com o objetivo de trocar experiências e se apoiar para combater a vontade de tomar o primeiro gole.

    Quem frequenta os encontros de qualquer um dos 420 grupos de Pernambuco, mesmo os convidados, são rapidamente informados da regra de ouro: tudo o que você viu ou ouviu durante a reunião deve ser deixado naquela sala. As vítimas do alcoolismo, considerada uma doença pela Organização Mundial de Saúde (OMS), não têm perfil definido. São de ambos os sexos e das mais diversas idades, classes sociais e crenças. No entanto, quando o assunto é o álcool, todas essas diferenças se tornam mero detalhe.

    “Existe quem compreende que o alcoólatra não é incapaz de ter uma vida profissional e social, mas ainda há muito preconceito, principalmente em cima de mim, que sou mulher”, afirma Vitória, que ficou amiga de Santana durante os encontro no AA.

    Vitória ressalta que o caminho do resgate é muito difícil. “Um dos parentes do meu marido, que trabalha na área de saúde, pediu que eu não contasse nada a ninguém sobre minha doença porque ficaria feio para eles.” Segundo ela, felizmente, a situação vem mudando principalmente por causa do trabalho desenvolvido pelo AA. “Ficou mais fácil encontrar médicos capazes de diagnosticar a doença tanto na rede pública quanto na rede privada de saúde”, acrescenta.


    Aniversário - Pernambuco terá uma programação especial para comemorar o aniversário do AA. Nos dias 12 e 13 de junho, a partir das 9h, o município de Palmares, na Zona da Mata, receberá um grande encontro para lembrar a história do grupo. Será a partir das 9h, na Escola Doutor Pedro Afonso Medeiros. Dias 27, 28 e 29, as reuniões e seminários acontecerão na Escola Pedro Ribeiro, em Vitória de Santo Antão, também na Zona da Mata. 

  • Autor: Da redação
  • Fonte: Jornal do Commercio

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